Há muito que não se via uma campanha assim. O documento dos economistas permitiu ao PS marcar a agenda política nestas últimas semanas, embora longe do impacto esperado e propalado pelo grupo de António Costa. A tática é, tal como descreve Pedro Silva Pereira, dupla: uma demarcação aparente das escolhas macroeconómicas da direita; uma ocupação do espaço à esquerda em matéria de combate à precariedade e defesa do trabalho.
Uma vez que o PS reafirmou nas respostas enviadas ao PSD que a "trajetória do défice e da dívida é consistente com uma consolidação orçamental sustentada e realista", sem justificar o irrealismo das projeções aqui apontado pelo Ricardo Paes Mamede, vexando assim o seu líder parlamentar e João Galamba, que há um ano defenderam publicamente um processo de reestruturação da dívida acima dos 60% do PIB, tratemos, pois, da questão do trabalho.
Salário Mínimo: um programa em cima do muro.
O mesmo documento dos economistas, que é apresentado pelos dirigentes do PS como o marco inaugural de uma alternativa credível de governo, quando confrontado com a questão do salário mínimo, rapidamente é remetido para a qualidade de uma documento técnico de apoio, "este não é o programa eleitoral do PS". Ora, a questão já nem é recordar a feroz oposição de Mário Centeno a uma política de salário mínimo, uma vez que essa contradição entre a direção do PS e os seus economistas já resultou num baixar da proposta como bandeira do PS.
