Kenneth Rogoff, que foi economista chefe do
FMI, e a sua coautora Carmen Reinhart tornaram-se dos economistas mais
polémicos dos nossos dias. Por boas razões (um livro que inventaria as crises
financeiras dos últimos duzentos anos) e más razões (pelo seu erro de palmatória no cálculo do efeito da dívida no arrastamento dessas crises, a que
responderam corrigindo parcialmente os seus métodos).
Agora, voltaram à carga e apresentaram, na
conferência de janeiro da Associação Americana de Economistas, um artigo que
compara a segunda depressão com a primeira (a que começou em 1929). Esse artigo foi resumido aqui e aqui.
O gráfico que apresentamos acima, e que é a
versão do Economist dos seus resultados, diz tudo. Em cima, temos a
“severidade” da primeira grande depressão, medida pela queda do produto per capita
e pelo número de anos necessários até à recuperação do nível de produto
anterior à crise. E, a partir daí, temos os vários casos de “severidade” da
segunda grande depressão, incluindo estimativas sobre quanto tempo será
necessário para voltar ao início. No caso de Portugal, os autores estimam 19
anos: em 2027 voltaríamos a 2008. A Irlanda, Espanha, Itália e Grécia demorarão
mais tempo, mas isso é fraco consolo.
