Os Xutos e
Pontapés são daquelas coisas que mesmo que quisesse não me conseguiria desprender.
São quase quarenta anos de rock que acompanharam os quarenta anos de
democracia. E são sobretudo fruto de uma mudança na sociedade portuguesa que acolheu
o riffs alucinantes, o ritmo acelerado, a crítica ácida ao sistema e ao poder e
o espírito anti-subversivo. Não foram só os Xutos mas neste novo disco - Puro - eles voltam a confirmar que são provavelmente a
banda de rock português mais sólida do ponto de vista de produção de originais
desde 1978. Não desapareceram da ribalta, estiveram sempre a produzir e no
essencial não mudaram a sua identidade nestes tempos em que a música que roda
nos grandes circuitos comerciais tem percorrido caminhos estranhos onde o rock
quase já não cabe.
30 janeiro 2014
Quase quarenta anos a fazer ligações diretas
Um século depois da Primeira Grande Guerra, o mundo entorta-se
Thomas Piketty, no seu grande livro sobre o capital no século XXI, apresenta este gráfico sobre a repartição da produção mundial desde 1700.
Sendo indicativos e aproximados, os dados são ilustrativos de algumas grandes mudanças. A primeira e mais importante é a recuperação do peso da Ásia: em 1700 representava cerca de 60% da produção mundial, depois o seu lugar degradou-se, agora tem crescido até chegar a 40%. É o maior centro de produção da economia mundial.
Sendo indicativos e aproximados, os dados são ilustrativos de algumas grandes mudanças. A primeira e mais importante é a recuperação do peso da Ásia: em 1700 representava cerca de 60% da produção mundial, depois o seu lugar degradou-se, agora tem crescido até chegar a 40%. É o maior centro de produção da economia mundial.
O CES, os patrões e a voz do dono
O Conselho Económico e Social (CES) ocupa uma posição secundária na esfera das relações económicas e laborais em Portugal. Criado no período de transição pós-ditatorial, como assinalou Boaventura Sousa Santos, o CES assumiu um papel travestido de concertação social onde mais do que ser, importava parecer. Longe do modelo europeu assente na existência e participação de centrais sindicais fortes em número ou combatividade, o Estado conduziu quase sempre as negociações mais do que cedeu perante estas. Na era da troika, o que importa constatar é que o CES, à semelhança de outros órgãos de relevo, deixa transparecer com mais intensidade as contradições próprias de um regime a reboque da austeridade.
29 janeiro 2014
Os deliciosos lucros da saúde privada
Se os números deixassem dúvidas, a prosápia esclareceria tudo: nos prospectos da sua promoção de venda de acções, o Grupo Espírito Santo Saúde respira confiança e anuncia que 54% das suas receitas são pagas pelo Estado. Através dos serviços de saúde para funcionários públicos (30% em 2013) e do Hospital Beatriz Ângelo, público como não podia deixar de ser, mas parceria público-privado para gáudio do Grupo. Com isto, são quase 9000 funcionários (um rácio de eficiência dos serviços prestados que é pior do que o do serviço nacional de saúde).
Uma lição de amor
Em Uma vida à sua frente (Sextante, 2010), Émile Ajar, ou melhor, Romain Gary, dá-nos a conhecer o pequeno Momo (abreviatura de Mohammed) e permite-nos acompanhar uma pequena parte da sua vida, porventura, os momentos mais difíceis e marcantes por que passou. Contudo, o possível esperava-o para o insuflar de esperança e ficamos também marcados. Pelo encanto especial de uma ingenuidade cheia de verdade e experiência de vida como a de Momo, pela vida dura de Madame Rosa cuja sorte a salvou de um mal maior para viver sempre males menores, pela impressionante lição de amor que, apesar de aquecer o coração, não nos livra de uma certa suspeita sobre os sentidos da vida.
28 janeiro 2014
A cultura de direita (segundo Malomil), parte 1
António Araújo é historiador, assessor de Cavaco e assumiu recentemente posições favoráveis a Rui Ramos na polémica sobre o branqueamento de alguma historiografia a propósito do Estado Novo. No seu blog, Malomil, analisa com argúcia a cultura da direita pós-revolução de Abril e de como esta se tornou a cultura dominante.
O artigo tem relevância a vários níveis.
O artigo tem relevância a vários níveis.
A praxe não é exceção
A tragédia do Meco, que aconteceu há mais de um mês, tem sido o assunto do momento, nas últimas semanas. Infelizmente, o mediatismo à volta deste caso não se deve a estarem agora finalmente apuradas as circunstâncias em que os 6 jovens morreram, mas sim à insistência dos pais, mães e avós em não deixarem o assunto cair no esquecimento. Seis pessoas morreram em circunstâncias ainda por apurar, com a forte suspeita de que a morte possa ter ocorrido no contexto de praxe.
Assistiu-se a um triste espectáculo: silêncio, inércia e impassividade por parte das autoridades responsáveis pela investigação do caso. Os jovens faleceram a 15 de dezembro e só a 21 de janeiro a Procuradoria-Geral da República determinou a aplicação do segredo de justiça, chamando a si o inquérito.
O que aconteceu foi uma verdadeira tragédia. Crime ou não crime, a morte de 6 pessoas não pode ficar por investigar. Infelizmente, a semelhança deste acontecimento com outros casos públicos de violência da praxe não se esgota só na ligação com esta prática subjugante e humilhante, mas também com a sugestão de impunidade e impassividade comum a todos os casos que ocorreram no passado.
Assistiu-se a um triste espectáculo: silêncio, inércia e impassividade por parte das autoridades responsáveis pela investigação do caso. Os jovens faleceram a 15 de dezembro e só a 21 de janeiro a Procuradoria-Geral da República determinou a aplicação do segredo de justiça, chamando a si o inquérito.
O que aconteceu foi uma verdadeira tragédia. Crime ou não crime, a morte de 6 pessoas não pode ficar por investigar. Infelizmente, a semelhança deste acontecimento com outros casos públicos de violência da praxe não se esgota só na ligação com esta prática subjugante e humilhante, mas também com a sugestão de impunidade e impassividade comum a todos os casos que ocorreram no passado.
27 janeiro 2014
Também a Chuva
Está finalmente disponível na internet a versão integral do filme de Icíar Bollaín.
Quando realidade e ficção se cruzam entre o presente e o passado sob o roteiro de Paul Laverty (Terra e Liberdade, Bread em Roses) o resultado é este filme imperdível. Dos olhares calados dos índios que viram chegar os homens feios de Colombo, até o levantar da luta contra a privatização das águas em Cochabamba, no ano 2000, muito se passou, mas algo permanece, o que antes era o ouro, pago em impostos à coroa espanhola, agora é a água, que é vida paga às companhias internacionais. E é tão simples: ela cai do céu.
Coitadinho do Seguro, segundo Rui Tavares
Diz Rui Tavares no Público, comentando um cenário "mau", pós legislativas, em que o malvado PSD, em jeito de lobo, exige ao pobre PS, o cordeirinho, que se faça uma revisão constitucional: "para aceitar fazer parte do Governo, o PSD porá em cima da mesa a revisão constitucional para diminuir o nível de proteção dos direitos económicos e sociais. António José Seguro já disse que não fará revisões da Constituição antes de eleições, mas não se sabe o que fará depois – e pode ser que não tenha outra hipótese".
Meu caro Rui Tavares: em política há sempre outra hipótese. Tem de haver sempre a outra hipótese.
Meu caro Rui Tavares: em política há sempre outra hipótese. Tem de haver sempre a outra hipótese.
26 janeiro 2014
Austeridade para 90% da população mundial em 2015
A austeridade afetará, em 2015, 6,3
mil milhões de pessoas, ou seja 90% da população mundial.
“Contrariamente à perceção pública” as políticas de
austeridade não se confinam à Europa e, até, se impõem ainda mais
nos chamados 'países em desenvolvimento'. Estas são duas
importantes conclusões do estudo “A Era da Austeridade”. Mas
este estudo ajuda-nos a compreender que vivemos um novo quadro
mundial marcado por políticas de austeridade o que constitui uma
viragem conservadora, acentuando ainda mais as políticas de tipo
neoliberal.
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