Foi esta semana que saiu mais uma notícia especulando sobre a vinda de investidores estrangeiros, da Alemanha, Áustria, França, Brasil e Estados Unidos, para investir no Alqueva. Há cerca de um ano atrás eram os franceses e os japoneses que estariam a chegar para finalmente utilizar a água da barragem e "pôr o Alentejo a produzir". Esta é uma história que vem de trás, mas que sempre trouxe água no bico, se bem que essa água é, há muito tempo, água de má qualidade.
19 fevereiro 2014
Serviço Público mostra Lampedusa
No momento em que se vai discutindo o futuro da RTP, vale a pena lembrar que ainda existe um serviço público de excelente qualidade que é fundamental para a democracia. É disso que trata esta reportagem da jornalista Rita Ramos: da qualidade do serviço público e do afogamento da democracia em Lampedusa. Dificilmente esta reportagem existiria, se não existisse um serviço público de televisão com pluralismo e qualidade. Vale mesmo a pena ver.
18 fevereiro 2014
Vender ilusões
Que a situação no Ensino Superior é grave já
ninguém consegue negar. Portugal tem das propinas mais caras de Europa. No 1º
ciclo já ultrapassam em muito os mil euros e no 2º ciclo, por não terem um teto
máximo, podem chegar a 37 mil euros (pós graduação no ISCTE). Temos milhares de
estudantes sem acesso à ação social direta (bolsas de estudo) e indireta (cantinas,
residências etc.). E temos uma geração de estudantes que recorre a empréstimos
bancários para conseguir continuar a estudar. Saem das universidades com um
diploma numa mão e uma dívida à banca na outra. Perante os números do abandono
escolar e das cada vez menores expectativas dos jovens sobre o ensino superior,
representantes dos Reitores, Associações de Estudantes e do Governo vão criar o
programa “Retomar”. A ideia é conseguir que os estudantes que abandonaram o
Ensino Superior consigam ter recursos para voltar. A ideia é boa e louvável, só
tem um problema: não vai resolver nada!
17 fevereiro 2014
Uma velha ideia nova: uma moeda para substituir as moedas, o bitcoin
Se já ouviu falar do bitcoin, então já sabe tudo. A promessa de uma nova moeda criada pelos próprios utilizadores, sem banco central, parece um manifesto libertário e entusiasma os fanáticos do mercado. Parece que tem o melhor de todos os mundos: o seu valor pode crescer depressa, e os investidores chineses acotovelam-se à porta; não reconhece nenhuma autoridade, e todos participam na formação do programa de software encriptado em chave aberta, num modelo que mobiliza mais capacidade computacional do que a resultaria da combinação dos quinhentos computadores mais rápidos do mundo. Os pagamentos fazem-se sem custos. O que é que quer mais?
13 fevereiro 2014
Acabaram-se as mobilizações? Notas sobre avenidas e vielas
O retorno da «rua» como fronteira.
A 25 de setembro de 2011, dia de manifestação contra as medidas de austeridade em Madrid, uma imagem marca o dia: Alberto Casillas Asenjo, o empregado de mesa de um restaurante situado nas imediações da Praça Neptuno (sede do Congresso Nacional) impede a entrada da polícia de choque no estabelecimento onde se refugiam dezenas de manifestantes em fuga. A manifestação convocada pela coordinadora 25s – plataforma que agrupa dezenas de coletivos formados pelos movimentos das acampadas e assembleias populares existentes desde a manifestação inaugural de 15 de Maio de 2011 – tinha como mote o rodeo al Congresso, cerco ao Congresso Nacional, e avançava no seu manifesto[1] com a necessidade de resgatar a democracia perante o sequestro da soberania popular pelos mercados e pela troika. O cerco não chegou a ter lugar perante a musculada intervenção policial e um pequeno grupo dos milhares de manifestantes, que fugiam à carga, encontrou abrigo no espaço guardado por Alberto Asenjo. A imagem forte, e em certa medida romântica, protagonizada por este empregado de mesa é o nosso ponto de partida para a análise de uma fronteira que retorna à cena política europeia: a rua.
12 fevereiro 2014
Legalização da canábis: o Colorado marca o ponto de viragem?
Os EUA impulsionaram o proibicionismo global no século XX e ainda hoje se batem nas Nações Unidas por mais repressão e menos tolerância para os consumidores de drogas. Ironia da história: entre os primeiros a vencer o proibicionismo estão os cidadãos norte-americanos do Colorado, onde a venda de canábis para uso recreativo é legal desde o início do ano.
Este texto resume as mudanças trazidas pela legalização, o impacto previsto nas receitas fiscais e no apetite da finança pelo mercado da canábis nos EUA, as implicações eleitorais do crescente apoio à legalização revelado nas sondagens nacionais e, por fim, as contradições que ela levanta no debate internacional sobre política de drogas a dois anos de distância da próxima conferência da ONU.
11 fevereiro 2014
Trabalho de menino é pouco?
Na semana passada, a imprensa internacional fez eco da publicação do Relatório The State of the World’s Children 2014. Este relatório, publicado anualmente pela UNICEF, é um instrumento fundamental para compreender alguns dos mais importantes indicadores sobre a infância. A imprensa portuguesa, num caso como noutro, apresenta apenas os dados referentes aos “países lusófonos”. Sendo o trabalho infantil uma das dimensões mais significativas do Relatório, apesar de algumas assimetrias na recolha dos dados [1], a compreensão das várias dimensões apresentadas não dispensa uma análise mais ampla do ponto de vista geográfico, assim como o cruzamento dos dados com outros indicadores.
Esta é a primeira conclusão: é evidente a existência de zonas geográficas de concentração extrema do trabalho infantil. Neste caso, como em tantos outros, a histórica relação Norte/Sul teima em impor-se como referencial de uma divisão social e económica do mundo. Assim, verificamos que as maiores taxas de trabalho infantil se concentram sobretudo em três regiões do continente africano: África Subsariana (27%), África Oriental e do Sul (27%) e África Ocidental e Central (26%). Da mesma forma, não será estranho que dos 37 países que registam uma taxa de trabalho infantil superior a 20%, apenas sete não se situem no continente africano [2]. De resto, todos estes valores são significativamente superiores à média mundial (15%), sendo esta superada em mais de 300% pelo país com a maior taxa de trabalho infantil, a Somália (49%). Nenhum país do continente europeu apresenta um valor superior a 20%, estando Portugal situado no primeiro quartil (com uma taxa de 3%).
Labels:
Internacional,
João Curvêlo,
Trabalho
joao.f.curvelo@gmail.com
Precariedade: a nova batalha de quem trabalha
Um conceito de combate
André Gorz lançara já o alerta, a produção ideológica acompanha sempre o passo rápido das transformações produtivas. No campo do poder, a conhecida missiva social-democrata construída em oposição à tese da emancipação pelo trabalho «não importa o trabalho que faças, desde que sejas pago no final», transmutou-se em justificativa austeritária «não importa quanto ganhas, desde que tenhas um emprego»1. Esta apresentação do trabalho como bem raro, alvo de disputa e contenda social, não se opera pela deslocação da sua centralidade na estruturação das relações sociais, pelo contrário, a mensagem reforça a relação salarial como fim único para a reprodução do indivíduo – quem perde o emprego, perde tudo. O desdobramento deste pensamento é conhecido, perante a destruição acelerada da economia e a calamidade do desemprego, os limites diluem-se, quem trabalha deve estar disposto a aceitar todas as mudanças, todos os vexames. Uma dimensão de subordinação que pode ser encontrada na própria etimologia da palavra “precário”: precarius, aquele que pede ou obtém em oração. A súplica do emprego como súmula grotesca da era da austeridade.
10 fevereiro 2014
O referendo na Suíça é um sinal. É um sinal de quê?
O resultado do referendo para a limitação da imigração na Suíça alertou a Europa para a ameaça xenófoba. A extrema-direita rejubilou e a esquerda assustou-se. Ora, só parece estranho que a reação seja tão tardia, tão desorganizada e tão frágil. Nos Estados Unidos como na Europa, têm sido frequentemente os mais moderados quem tem tomado a dianteira nas ameaças aos imigrantes, por puro cálculo eleitoral. O sinal suíço é somente o primeiro sintoma da profundíssima doença europeia.
09 fevereiro 2014
Percepção vs. Realidade: Desigualdade na América
A desigualdade na distribuição da riqueza nos Estados Unidos da América é bem pior do que a percepção dessa desigualdade.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





