22 abril 2014

No Pasaran! Encontro Europeu Anti-Fascista em Atenas, 11 a 13 de Abril



Durante os dias de 11 a 13 de Abril juntaram-se cerca de 3.000 pessoas em Atenas para participar nos debates, assembleias e atividades culturais do Encontro Europeu Anti-Fascista. Cerca de 80 ativistas de 20 países diferentes, em representação de 32 coletivos anti-fascistas, anti-racistas e feministas e organizações políticas, estiveram presentes. Estes ativistas juntaram-se aos cerca de 30 coletivos anti-fascistas de Atenas e Pireus que organizaram o Encontro, os quais lutam quotidianamente contra o racismo, fascismo e austeridade na Grécia, em especial contra a Aurora Dourada. 

O Encontro teve o objetivo de trocar informação sobre a situação em cada país, partilhar experiências de luta e organização, e construir uma coordenação europeia entre os vários movimentos anti-fascistas numa luta que é comum em toda a Europa perante a ameaça crescente da ideologia e violência fascista.

19 abril 2014

Crise, boom extrativista e a nova corrida ao ouro



2002 marcou o início do boom mineiro mais largo do período do pós-guerra (2003-2012), em estreita relação com a subida do preço das matérias primas no mercado internacional. Depois de uma quebra em 2009 por efeito da crise financeira, as rendas extrativistas subiram em flecha. Elevada procura em países como a China e Índia e crescente especulação financeira são algumas das causas da subida do preço, alimentando a aquisição de largas áreas com potencial mineiro (cada vez mais escassas) ou a intensificação das minas atuais (com retornos cada vez mais decrescentes). O que antes não era atraente, agora é visto como uma oportunidade. 

18 abril 2014

António Barreto e o crime social do “cabrito com batatas”



A crise tem sido fértil na produção de frases feitas e da atualização enriquecedora do senso comum. A formulação extremamente simplificada de conceitos e noções gerais sobre a vida em sociedade, em todos os seus campos, mas principalmente no tocante à crise económica e aos seus fundamentos atingiu, nestes últimos anos, o seu auge. 

Loucura e Holocausto no maior Hospício do Brasil



"Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 mil mortes no maior Hospício do Brasil" de Daniela Arbex está em destaque em algumas livrarias em Portugal. E ainda bem. A jovem e premiada jornalista brasileira foi levantar a história esquecida de um hospício em Barcarena, construído em 1903 e onde morreram 60 mil pessoas. Um lugar inóspito, desumanizado e de barbárie para onde durante anos foram enviados epiléticos, alcoólicos, homossexuais, prostitutas, jovens raparigas violadas pelos patrões, esposas de quem os maridos se queriam ver livres e filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes de casarem.

Neste hospício, os 5 mil “pacientes” que em média lá viviam (num lugar projetado para 200 pessoas…), andavam nus, de cabeças rapadas, sem objetos pessoais e desempossados de qualquer identidade individual. Vivam uma identidade absolutamente institucionalizada, acompanhada de condições de vida miseráveis, desde logo dormindo no chão ou sobre capim, bebendo água de esgoto ou urina, comendo ratos, passando fome e tendo condições de higiene sub-humanas.

Wadjda: quando uma bicicleta é o mundo


O Sonho de Wadjda (2012) conta-nos a história de uma miúda que desafia o conservadorismo e o machismo da sociedade saudita, usando ténis, tendo como melhor amigo um rapaz e desejando uma bicicleta. Uma personagem improvável? Um filme rodado inteiramente em território saudita e realizado por uma mulher também deveria ser impossível. Mas «a Arábia Saudita está a mudar», diz Haifaa al Mansour. Pois que mude, radicalmente.

16 abril 2014

Na investigação científica "a precariedade é a regra"


O inquérito realizado pela Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis traz à luz a verdade sobre o risco que corre o frágil edifício da Ciência em Portugal: "a grande maioria dos investigadores são eternos bolseiros, dificilmente têm acesso a um contrato de trabalho e, perante a sua condição precária, pretendem emigrar".

Os números do falhanço da guerra às drogas no Afeganistão


A Economist desta semana chama a atenção para o testemunho de John Sopko, o Inspetor Geral para a Reconstrução do Afeganistão, acerca do resultado das operações de erradicação das plantações de ópio: 10 mil milhões de dólares desperdiçados dão o título à notícia.

Nomeado em 2012 por Obama, o papel de John Sopko é o de verificar se os 100 mil milhões de dólares gastos desde 2002 pelos contribuintes norte-americanos na "reconstrução" do Afeganistão ocupado estão a ser utilizados para os fins a que se destinavam, tarefa que o tornou uma figura impopular junto do Pentágono e da USAID, que distribuem boa parte daquelas verbas. Não admira, pois Sopko foi taxativo: um décimo desse dinheiro foi deitado ao lixo.

13 abril 2014

Cultura de “excelência” de Durão Barroso é ter 25.7% da população analfabeta

Durão Barroso veio ontem a público numa sessão em Lisboa afirmar que "No Portugal não democrático, no Portugal pré-União Europeia e pré-Comunidade Europeia havia ensino de excelência apesar do regime político em que se vivia e isso era possível porque numa escola era desejável reforçar a própria cultura de excelência da escola. Não estou seguro que aconteça hoje o mesmo em muitas escolas portuguesas e europeias" (artigo completo aqui).

Vejamos como era o ensino de “excelência” que Durão Barroso defende. Em 1970 a escolaridade obrigatória era de seis anos, os professores primários tinham uma preparação que lhes permitia ensinar a ler, escrever e contar e pouco mais (Candeias Martins, 2008[1]). Os professores vivam sob vigilância e controlo constante por parte das autoridades (Candeias Martins, 2008) porque, no ensino de “excelência” defendido por Durão Barroso, as escolas eram a “sagrada oficina das almas” onde a exaltação do orgulho nacionalista era a principal matéria, horizontal a todas as disciplinas.

11 abril 2014

[PUB] Esse País também é nosso, emigramos mas não desistimos


Esta importante iniciativa pode ser consultada aqui.

«Em Portugal, as pessoas passam tempos difíceis. Todos conhecemos situações de vidas destruídas pela crise e pelos cortes dos últimos anos. Ao contrário das promessas, o país ficou pior depois da troika, com mais desemprego e dificuldades para quem precisa de trabalho para viver. A União Europeia tornou-se uma fábrica de austeridade, que só produz mais pobres, desempregados e desunião entre os países. Esse caminho do empobrecimento, seguido de forma fiel pelo governo português, não apresenta qualquer esperança para quem permanece em Portugal.

Longe do país, queremos continuar a fazer parte da solução para os seus problemas. 

10 abril 2014

Alterações climáticas - 2ª encruzilhada

Na semana passada foi divulgado o 5º relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas ), depois de uma reunião de cinco dias em Yokohama, no Japão. O relatório foi escrito por 309 autores de 70 países, com contributos dos 1800 cientistas do IPCC que recolhem dados sobre fenómenos climáticos que ocorrem em todo o planeta.

O resultado é contundente: as alterações climáticas são irreversíveis e o seu efeito futuro será catastrófico. O IPCC alertou para que a manutenção do padrão de emissões de gases com efeito de estufa e as consequências desse statu quo coloca já em causa toda a estabilidade social dos sistemas humanos. Guerras civis e violência nas comunidades são alguns dos alertas claramente descritos nos documentos. A maior vulnerabilidade dos mais pobres às alterações ambientais faz-se sentir de forma clara e o agravamento das alterações climáticas torna os pobres mais pobres, enquanto cria mais fenómenos de pobreza generalizada em certas regiões do globo.