Os jornalistas Helena Matos (HM) e José Manuel Fernandes (JMF) lançaram, em janeiro deste ano, um manual simplificado do pensamento austeritário, intitulado “Este país não é para jovens” (Esfera dos Livros). Nessa obra, a já gasta narrativa da “guerra de gerações”, que procura mascarar a precarização geral da sociedade, é apresentada pelos autores a partir de um ataque ao manifesto da Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis. Podemos encontrar nessa crítica três lugares comuns do campo que, em Portugal e na Europa, tem defendido a austeridade: o salário mínimo cria desemprego; a precariedade dos mais novos é culpa dos mais velhos; a flexibilidade protege os trabalhadores.
28 abril 2014
Este país não é para quem trabalha: resposta a Helena Matos e José Manuel Fernandes
Os jornalistas Helena Matos (HM) e José Manuel Fernandes (JMF) lançaram, em janeiro deste ano, um manual simplificado do pensamento austeritário, intitulado “Este país não é para jovens” (Esfera dos Livros). Nessa obra, a já gasta narrativa da “guerra de gerações”, que procura mascarar a precarização geral da sociedade, é apresentada pelos autores a partir de um ataque ao manifesto da Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis. Podemos encontrar nessa crítica três lugares comuns do campo que, em Portugal e na Europa, tem defendido a austeridade: o salário mínimo cria desemprego; a precariedade dos mais novos é culpa dos mais velhos; a flexibilidade protege os trabalhadores.
“Jogos de Poder”, uma viagem ao capitalismo de casino à portuguesa
Com lançamento marcado para esta semana, o livro “Jogos de Poder” – uma investigação jornalística de Paulo Pena editada pela Esfera dos Livros – percorre os anos da crise financeira. E mostra-nos como a fatura do colapso de um sistema comandado pela banca privada acabou por vir parar aos bolsos dos contribuintes.
26 abril 2014
Os livros dos inflectores: uma base de dados para estudar Portugal
A partir do livro "Os Burgueses", tornamos disponível uma base de dados sobre as ligações económicas e alguns outros detalhes relevantes de todos os governantes de todos os governos constitucionais. Assim, será possível corrigir eventuais erros e completar a base de dados com informação que nos tenha escapado, mas sobretudo torna-se possível a outros investigadores partirem desta base de dados para os seus trabalhos.
24 abril 2014
Passos Coelho age por ideologia, e percebe pouco de economia
Passos Coelho age por ideologia, e percebe pouco de economia. Insiste o primeiro-ministro na ideia de que “é errado aumentar os custos salariais quando a economia está a contrair”. O primeiro problema com a teoria do primeiro-ministro é que só vê a economia do lado da oferta, ou seja, das empresas. O segundo problema é que ignora que um sistema económico não é uma só empresa nem é uma só família. É o fruto da relação – complexa e dinâmica – de empresas, famílias, instituições financeiras e, é claro, o Estado.
Quando se olha para este sistema do lado da oferta, esquece-se que do outro lado dos “custos” salariais estão pessoas, trabalhadores, que usam o seu salário para adquirir bens e serviços. Sem esta procura, sem alguém que de facto realize a despesa, a produção não sai dos armazéns e, como tal, não entra para o PIB. Os serviços não se vendem e, como tal, não entram para o PIB. Sem esta procura as empresas que produzem os bens e serviços finais vão à falência ou reduzem a oferta, e por isso investem menos, levando outras empresas, as que vendem bens de investimento, à falência. Tudo isto desconta no PIB.
Da mesma forma, a ideia de que baixar salários é benéfico para as empresas só resulta quando se olha para este sistema complexo a partir das lentes redutoras e erradas de uma “economia familiar”. Baixar os salários, despedir mais gente, até pode ser bom para uma empresa individual, mas se todas fizerem o mesmo, a economia entrará em recessão.
De forma nenhuma uma economia em crise sairá dela pelos cortes salariais e pela redução de direitos laborais.Pelo contrário, a melhor forma de evitar uma crise é dificultando os despedimentos e os cortes remuneratórios: é essa estabilidade no rendimento dos trabalhadores que pode evitar que um pequeno acidente se torne numa profunda recessão.
A atualidade da memória
Nos arquivos encontramos espelhada muita da nossa história coletiva. A RTP decidiu abrir o seu e apresenta-nos um conjunto de memórias sobre o 25 de Abril e o processo revolucionário que valem a pena ser lembradas.
Memórias sobre o golpe, sobre as emissões e comunicados, as ocupações, o regresso dos exilados, a prisão dos membros da PIDE, a revolução nas escolas e universidades, a libertação dos presos políticos e tantas outras.
Vale lembrar estes momentos, para aguçar a esperança dos combates que estão por fazer.
Memórias sobre o golpe, sobre as emissões e comunicados, as ocupações, o regresso dos exilados, a prisão dos membros da PIDE, a revolução nas escolas e universidades, a libertação dos presos políticos e tantas outras.
Vale lembrar estes momentos, para aguçar a esperança dos combates que estão por fazer.
22 abril 2014
No Pasaran! Encontro Europeu Anti-Fascista em Atenas, 11 a 13 de Abril
Durante os dias de 11 a 13 de Abril juntaram-se cerca de 3.000 pessoas em Atenas para participar nos debates, assembleias e atividades culturais do Encontro Europeu Anti-Fascista. Cerca de 80 ativistas de 20 países diferentes, em representação de 32 coletivos anti-fascistas, anti-racistas e feministas e organizações políticas, estiveram presentes. Estes ativistas juntaram-se aos cerca de 30 coletivos anti-fascistas de Atenas e Pireus que organizaram o Encontro, os quais lutam quotidianamente contra o racismo, fascismo e austeridade na Grécia, em especial contra a Aurora Dourada.
O Encontro teve o objetivo de trocar informação sobre a situação em cada país, partilhar experiências de luta e organização, e construir uma coordenação europeia entre os vários movimentos anti-fascistas numa luta que é comum em toda a Europa perante a ameaça crescente da ideologia e violência fascista.
19 abril 2014
Crise, boom extrativista e a nova corrida ao ouro
2002 marcou o início do boom mineiro mais largo do período do pós-guerra (2003-2012), em estreita relação com a subida do preço das matérias primas no mercado internacional. Depois de uma quebra em 2009 por efeito da crise financeira, as rendas extrativistas subiram em flecha. Elevada procura em países como a China e Índia e crescente especulação financeira são algumas das causas da subida do preço, alimentando a aquisição de largas áreas com potencial mineiro (cada vez mais escassas) ou a intensificação das minas atuais (com retornos cada vez mais decrescentes). O que antes não era atraente, agora é visto como uma oportunidade.
18 abril 2014
António Barreto e o crime social do “cabrito com batatas”
A crise tem sido fértil na produção de frases feitas e da atualização enriquecedora do senso comum. A formulação extremamente simplificada de conceitos e noções gerais sobre a vida em sociedade, em todos os seus campos, mas principalmente no tocante à crise económica e aos seus fundamentos atingiu, nestes últimos anos, o seu auge.
Loucura e Holocausto no maior Hospício do Brasil
"Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 mil mortes no maior Hospício do Brasil" de Daniela Arbex está em destaque em algumas livrarias em
Portugal. E ainda bem. A jovem e premiada jornalista brasileira foi levantar a
história esquecida de um hospício em Barcarena,
construído em 1903 e onde morreram 60 mil pessoas. Um lugar inóspito,
desumanizado e de barbárie para onde durante anos foram enviados epiléticos,
alcoólicos, homossexuais, prostitutas, jovens raparigas violadas pelos patrões,
esposas de quem os maridos se queriam ver livres e filhas de fazendeiros que
perderam a virgindade antes de casarem.
Neste hospício, os 5 mil “pacientes” que em média lá viviam (num lugar
projetado para 200 pessoas…), andavam nus, de cabeças rapadas, sem objetos
pessoais e desempossados de qualquer identidade individual. Vivam uma
identidade absolutamente institucionalizada, acompanhada de condições de
vida miseráveis, desde logo dormindo no chão ou sobre capim, bebendo água de
esgoto ou urina, comendo ratos, passando fome e tendo condições de higiene
sub-humanas.
Wadjda: quando uma bicicleta é o mundo
O Sonho de Wadjda (2012) conta-nos a história de uma miúda que desafia o conservadorismo e o machismo da sociedade saudita, usando ténis, tendo como melhor amigo um rapaz e desejando uma bicicleta. Uma personagem improvável? Um filme rodado inteiramente em território saudita e realizado por uma mulher também deveria ser impossível. Mas «a Arábia Saudita está a mudar», diz Haifaa al Mansour. Pois que mude, radicalmente.
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