Foto de Eduardo Gageiro, 1º de Maio de 1974
«Oh meu amor! Temos connosco a praia da violência de alma. E, se há praias em nós, ondas virão.» Escreveu Jorge de Sena em «Conquista», Poesia I. Tanto é assim, ou assim foi, que estamos aqui hoje a comemorar os 40 anos de Abril, envoltos na saudação da revolução, esse impossível desmentido, e na recuperação da sua herança. É uma honra poder hoje dirigir-vos umas palavras, e faço-o modestamente e na qualidade de alguém que pertence à geração da encruzilhada: não vivi em ditadura, nem pude experienciar a manhã da liberdade e os dias quentes que se seguiram. Mas cresci ainda usufruindo não só desse bem maior que Abril nos trouxe, a democracia, como também do Estado Social, da escola e da saúde públicas. Hoje, tudo isso está em risco e a dívidadura cala-nos a esperança. Resta-nos reclamar de volta aquilo que não conquistámos, mas temos o direito e o dever de preservar e aprofundar. Entre o passado e o futuro, não podemos perder a oportunidade do presente.


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