A agressão diária do capitalismo, a emigração, a destruição do SNS, a doença da escola pública, a precariedade espraiada, os risíveis contratos de trabalho, o desemprego, as parcas reformas, os salários inexistentes, um país sem dignidade e a perder a esperança no futuro. Nada disto é novidade, como não é novidade que ainda há quem tente mudar de futuro perante a lumpenização do Estado que as políticas neoliberais vão logrando por aí. Por isso, urgem novas formas de activismo, surgem novas reconfigurações da esfera política, perante um ataque sedento dos fanáticos neoliberais e perante as organizações e reorganizações de quem defende o estado social e se vai mexendo como pode, inventando e reinventando formas de luta. Com tanto em jogo, ninguém vira costas à luta.
Ah, excepto a JSD.
A JSD, perante um país a arder, promove workshops de auto-maquilhagem e de matraquilhos. Se não tiverem que fazer este fim-de-semana, apareçam. Se tiverem que fazer, cancelem e apareçam na mesma. Podem roubar-nos os salários, mas aprenderemos finalmente a usar o lápis dos olhos. Podem roubar-nos os empregos, mas conseguiremos, pela primeira vez, marcar um golo sem ser por acaso. Se vierem pauperizar-nos mais, arrancar-nos a dignidade a ferros, destruir-nos a educação, a saúde, os projectos de vida e futuro, sorriremos, com lábios sensuais pintados, muito felizes, talvez por já estarmos do lado em que, pelo empobrecimento alheio, já está tudo bem.






