O Inflexão, sempre atento aos escritos do Duarte, teve acesso à verdadeira carta enviada pelo Marques de Mação ao novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras:
03 fevereiro 2015
31 janeiro 2015
A casinha dos pais será eterna?
Ainda se lembram do milagre económico anunciado por Paulo Portas? Pois é. Um ano depois, morreram os heróis da epopeia em que se transformou a recuperação económica portuguesa. Toda a propaganda das exportações (que, por sinal, abrandaram), da nova economia submarina, da prontidão lusitana em enxugar a economia para o crescimento sustentável, não resiste às previsões dos próprios parceiros da austeridade. O novo relatório do FMI fala-nos do país que perdemos e do que ainda vamos enfrentar: em 2019, a economia portuguesa ainda não terá recuperado os níveis de 2008 e o desemprego irá afetar 19% da população. Uma década de austeridade, uma década perdida.
A incorporação nas projecções do desemprego dos desencorajados e dos trabalhadores em part-time involuntário, para além de dar razão a quem tem criticado os números oficiais, diz-nos como a austeridade é um regime baseado na existência de um enorme desemprego estrutural. A economia portuguesa teria de crescer a uma média de 5,5% entre 2014 e 2019 para o desemprego atingir os níveis de 2008, ainda acima do aceitável para uma economia capaz segundo a maioria dos economistas. E ninguém acredita que numa Europa em que Merkel governará por mais três anos esse crescimento seja possível.
A incorporação nas projecções do desemprego dos desencorajados e dos trabalhadores em part-time involuntário, para além de dar razão a quem tem criticado os números oficiais, diz-nos como a austeridade é um regime baseado na existência de um enorme desemprego estrutural. A economia portuguesa teria de crescer a uma média de 5,5% entre 2014 e 2019 para o desemprego atingir os níveis de 2008, ainda acima do aceitável para uma economia capaz segundo a maioria dos economistas. E ninguém acredita que numa Europa em que Merkel governará por mais três anos esse crescimento seja possível.
Clausewitz em Atenas?
Um dos dados mais curiosos dos eventos pós-25 de Janeiro é este: a coerência táctica e, aparentemente, estratégica do novo governo grego. A conferência de imprensa Dijsselbloem-Varoufakis ilustra essa coerência.
Paul Mason escreve isto:
Paul Mason escreve isto:
Marxists, and the left in general, have a good knowledge of military strategy. Mr Varoufakis is not a Marxist: he is a left Keynesian, but comes from a political tradition where power is understood very well. (...) Even moderate leftists in the Euro-communist tradition — which includes Syriza – have grown up studying the dynamics of power. The Italian Marxist Antonio Gramsci, after whom numerous streets are named in left-controlled cities of his home country, said the modern communist party should be the “modern Machiavelli”: able to wield power, subterfuge and tactics adeptly and leverage, above all, its social support.
O BES e a Grécia
No Crooked Timber, Daniel Davies (exige leitura cuidadosa e crítica, mas vale a pena);
Here’s something which struck me when I was putting together an end of year review of developments in bank regulation. Euroland had a real, credible stress test and it wasn’t the one that we were all looking at. The real stress test in 2014 was the restructuring of Banco Espirito Santo.
The successful outcome from BES must surely encourage the Eurosystem policy makers to think that Greek euro exit, if it happens, could be contained. It’s no longer all that likely that any Euroland bank has big enough Greek exposure to knock over its capital, and even if there is a genuine liquidity squeeze, the ECB can pour out liquidity support much more aggressively than it did in 2011, because it knows that its own balance sheet risk is small. In 2011, theESCB’s unsecured funding was at risk of loss, because in the event of insolvency it would be just another unsecured creditor in most European legal systems. In 2015, the new structures of the Bank Resolution and Recovery Directive means that the ECB, along with all other short term and interbank creditors, get to effectively jump the priority structure by putting banks into BES-style resolution, making themselves safe by hosing the long term creditors without ever letting them see the inside of a bankruptcy court.
30 janeiro 2015
Marques Guedes e os contos de crianças
O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, disse mesmo na quarta-feira à noite em Aveiro que "a diferença entre a Grécia e Portugal lembra a história da cigarra e da formiga".
A Wikipedia diz que há muitas histórias da cigarra e da formiga. Só não explica é a razão pela qual um ministro precisa de recorrer a fábulas para descrever relações bilaterais. Entretanto, Bardem:
A Wikipedia diz que há muitas histórias da cigarra e da formiga. Só não explica é a razão pela qual um ministro precisa de recorrer a fábulas para descrever relações bilaterais. Entretanto, Bardem:
Pronto, privatizaram o desemprego
Com o ferrolho colonial europeu a limitar a capacidade de investimento e a necessária recuperação dos salários, restou aos governos esconder a subserviência económica endeusando as chamadas "políticas ativas de emprego". À semelhança dos governos socialistas, o CDS, atual comandante da pasta, escolheu duas vias para estas políticas: a ocupação compulsória dos desempregados em cursos de formação da mais duvidosa qualidade e utilidade e o reforço da transferência de fundos públicos para as empresas através do emprego subsidiado, os estágios. Os centristas trouxeram, é certo, a sua marca própria com a perseguição aos desempregados de longa duração, que tanto dependem do RSI para não viver em pobreza extrema.
29 janeiro 2015
A economia política dos paralíticos
Esta é especial para José Rodrigues dos Santos, Fernando Ulrich e companhia. E acompanha o Ricardo Paes Mamede, que disse aquilo que precisa de ser dito: o problema é outro e mais profundo.
Mas os mitos têm muita força. Porque os gregos não pagam impostos. Porque os gregos são todos uns paralíticos. Porque os gregos são todos cabeleireiras ou trompetistas. Os mitos têm muita força porque beneficiam do privilégio de não serem entendidos como objecto de interrogação. A partir do momento em que são interrogados, dissolvem-se. A não ser que sejam produto de interesses de classe e de um conflito que continua ganho pela oligarquia dominante.
E porque, no meio disto tudo, ainda não falámos, por cá, do LuxLeaks, provavelmente a revelação política mais importante dos últimos vinte anos. Hoje, não é preciso ser um marxista relativamente tradicionalista para perceber que a justiça fiscal é um conflito de classe disfarçado de mito. A justiça fiscal tem uma economia política concreta. E esta imagem explica quase tudo:
Mas os mitos têm muita força. Porque os gregos não pagam impostos. Porque os gregos são todos uns paralíticos. Porque os gregos são todos cabeleireiras ou trompetistas. Os mitos têm muita força porque beneficiam do privilégio de não serem entendidos como objecto de interrogação. A partir do momento em que são interrogados, dissolvem-se. A não ser que sejam produto de interesses de classe e de um conflito que continua ganho pela oligarquia dominante.
E porque, no meio disto tudo, ainda não falámos, por cá, do LuxLeaks, provavelmente a revelação política mais importante dos últimos vinte anos. Hoje, não é preciso ser um marxista relativamente tradicionalista para perceber que a justiça fiscal é um conflito de classe disfarçado de mito. A justiça fiscal tem uma economia política concreta. E esta imagem explica quase tudo:
A política do possível, ou… Como bocejar com polido realismo?
Queria contar-vos, no
espaço de algumas linhas, a história da política do possível.
Ao contrário de
outras histórias, efabulatórias e perigosamente imaginativas, a história da
política do possível não começa com “era uma vez…”. Na verdade, ela é tão
bolorenta e tão repetitiva que é preciso poupar nos intróitos, não vá congelar os
ouvintes e o próprio narrador numa espécie de inanição mortífera. Vamos
directos e ligeiros, que o tempo urge e as palavras custam.
A política do possível é
um esmifrado encolher de ombros que, em vez de se reduzir à insignificância que
a define em si mesma, se revela fundamental para manter a ordem das coisas. Ela
é presente e passada (só não é futura porque não queremos poluir o possível com
incertezas temporais). Três características fundamentais resumem a política do
possível:
28 janeiro 2015
Anita abre uma conta nas Ilhas Caimão
The oligarchs allowed the Greek state to become a battleground of conflicting interests. As Yiannis Palaiologos, a Greek journalist, put it in his recent book on the crisis, there is “a pervasive irresponsibility, a sense that no one is in charge, no one is willing or able to act as a custodian of the common good”.
As for the Greek oligarchs, their misrule long predates the crisis. These are not only the famous shipping magnates, whose industry pays no tax, but the bosses of energy and construction groups and football clubs. As one eminent Greek economist told me last week: “These guys have avoided paying tax through the Metaxas dictatorship, the Nazi occupation, a civil war and a military junta.” They had no intention of paying taxes as the troika began demanding Greece balance the books after 2010, which is why the burden fell on those Greeks trapped in the PAYE system – a workforce of 3.5 million that fell during the crisis to just 2.5 million.
Faz lembrar a economia política de um certo regime fascista. E faz lembrar certas e
determinadas declarações dos últimos dias/meses por cá:
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